quarta-feira, 14 de maio de 2014

Duos - Fragmentos do Espelho


                                                                     Essas Mulheres



  





                                                                                Geni

     








terça-feira, 2 de abril de 2013

As Facetas de Hamlet por Patrício Jr.

Um Hamlet canastrão, uma Rainha Louca, um Rei estrategista e uma Ofélia viciada em sexo, são os principais personagens propostos pelo Jovem Escriba Patrício Jr. para contarem a história do príncipe da Dinamarca imortalizado na obra de Willians Shakespeare. Uma adaptação irresponsável (no bom sentido da palavra) chegou às mãos do Grupo Facetas, Mutretas e Outras Histórias para a sua adaptação para a Cena, com o nome de “Hamlet – Um Exercício” o grupo se debruçou sobre a referida dramaturgia. Acostumados com a Direção Coletiva e com os Processos Colaborativos, os Facetas se depararam com um certo conflito: desfragmentaremos o texto ao nosso modo ou seremos textocêntricos?

Ponderamos bem o pouco tempo que tínhamos para a montagem, refletimos que para adentrarmos em um processo colaborativo de construção dramatúrgica, necessitaríamos de um tempo bem maior e com a possível presença do autor em alguns momentos, hajavista a vida ocupada de Patrício Jr. e o pouco tempo que tínhamos, resolvemos ser textocêntricos! Talvez, a primeiro momento tenhamos estranhado um pouco, mas nos adaptamos muito bem e rapidamente. Chegamos a conclusão que o Facetas não perderia sua essência ao tomar esta atitude, a nossa estética, também irresponsável (no bom sentido da palavra) dialogava diretamente com o texto, e sabíamos que a mesma apareceria com muita força no trabalho.
Foto: Fábio Lima
Passada a decisão do textocentrismo, fomos a definição da linha do trabalho. Já há um tempo estamos buscando a investigação com o trabalho do Palhaço Popular e com vontade levar para as ruas de nosso bairro. Então, para casarmos o nosso desejo com a montagem do Jovens Escribas em Cena, procuramos abordar o texto com essa estética do palhaço desbocado e descomprometido com padrões éticos, e que, no fim das contas, acabaram se relacionando muito bem entre si.
Monique Oliveira coordenou os trabalhos de preparação de corpo e de aproximação com o universo do Palhaço. Definimos o espaço Cênico como um Picadeiro em forma de Arena e construído com tatames vermelhos. Passamos por um processo de imersão no texto, apreendendo-o e na prática de sala tentando dar a nossa dinâmica ao mesmo. Enxertamos nossos “cacos” nos momentos em que o texto dava brecha para tal. Suprimimos algumas ações e citações que achamos desnecessárias, e/ou que não se encaixavam no discurso do nosso Grupo. Tentamos ser bem fiéis as rubricas e as indicações de Cenas propostas pelo autor, e fizemos do processo uma grande brincadeira. E este clima de festa perdurou até os momentos antes da apresentação, onde buscamos relações com as outras encenações já apresentadas (do Grupo Clowns de Shakespeare e da Cia Bololô), como o peito nu de Ofélia que foi interpretada por um homem (Omar Sena) e tinha uma relação direta com a Encenação dos Clowns e o resto do Frango Assado deixado na cozinha do Barracão Clowns pela Bololô e que havia sido utilizado em cena no dia anterior pelo mesmo Grupo, referências que foram para a Cena e que lembram as intervenções que os palhaços fazem ao chegar na cidade e incorporam coisas do lugar à dramaturgia do espetáculo. Além de Omar Sena (Ofélia), estiveram em cena Enio Cavalcante (Rei Cláudio), Giovanna Araújo (Rainha) e este que vos escreve e que atende pelo nome de Rodrigo Bico (Hamlet), fizemos o elenco desta encenação ácida, burlesca e sarcástica. E que levantou em nosso Grupo o grande desejo de reapresentá-la em outras ocasiões. Da Direção Coletiva nós não conseguimos escapar.
Fica aqui o agradecimento pelo convite, que reitera uma parceria já duradoura entre Clowns e Facetas e que nos aproximou dessa nova Cia que surge com muita força e responsabilidade que é a Bololô. E também a grande alegria de encenar um texto deste Jovem Escriba, que nos possibilitou um grande desafio e uma importante reflexão a cerca dessa coisa que chamamos de Processo Colaborativo.


Rodrigo Bico
Ator e Diretor do Grupo de Teatro Facetas, Mutretas e Outras Histórias

quarta-feira, 27 de março de 2013

Dia Mundial do Teatro ou do teatro?



Já parou pra contabilizar quantas vezes você foi ao Teatro? Ou até quantas vezes você assistiu teatro? Certamente alguns que lerão este escrito terão muitos números para contar. Agora faça essas mesmas perguntas em comunidades periféricas e bairros populares. Certamente esse número será baixíssimo. Neste 27 de março, muitas são as ações e as confusões em prol do (T)teatro. No RN inúmeros artistas dessa linguagem se agrupam e discutem seus problemas a mais de 6 anos, com algumas baixas temporais e também com a mudança de nome do movimento. Antes Redemoinho/RN, e agora Rede Potiguar de Teatro.
No Início da gestão da atual e já defasada Governadora, a Rede Potiguar de Teatro entregou um documento nas mãos da Secretária Extraordinária (ou Inexistente) de Cultura do RN uma carta solicitando uma abertura de diálogo com nosso setor. Apresentamos diversos pontos entregamos a Gestora o caminho das pedras e a disponibilidade da Rede em construir juntos esse diálogo.
O que se sucedeu a isso foi um grande silêncio, uma negação de nossa existência, algumas ironias soltas no ar e uma tentativa falida e frustrada de lançamentos de Editais que em nada dialogaram com as nossas necessidades. Resultado: inscrições ínfimas, resultados desgastantes e nada que chegou até a população nem aos artistas de teatro. Sem falar nos valores baixíssimos das premiações.
Com o poder de força da Rede Potiguar de Teatro, marcamos uma reunião com o atual gestor da FUNCARTE (Fundação Capitania das Artes), órgão equivalente a Secretaria de Cultura do Município de Natal, o senhor Dácio Galvão, entregamos uma carta semelhante à apresentada a Isaura Rosado (Cunhada da Governadora). Constatamos que na equipe do Município tem inúmeros integrantes de nossa Rede e o mesmo demonstrou-se aberto ao diálogo e de bate pronto retirou de nossas cabeças aquela imagem autocrática que tínhamos do referido gestor em outrora.
Até que chegamos à comemoração do Dia Mundial do teatro (ou do Teatro?) e percebemos bem a postura diferente dos nossos gestores da Cultura. O Governo Isaura/Rosalba apresenta-nos uma proposta de comemoração totalmente deslocada da realidade dos grupos que fazem teatro no RN, ela incorpora a sua programação a apresentação de um Espetáculo Mossoroense que já viria a Natal e com seu cachê já garantido por outro projeto (fato recorrente a esta atual administração, achar que os artistas devem se apresentar de graça pra divulgar seu trabalho) e comemora (na minha opinião) o Dia do Teatro, o dia do prédio que abriga nossas ações artísticas, celebra o Teatro Alberto Maranhão, pois o teatro que eu faço ela não tem o direito de comemorar e nem de dizer que tá tudo lindo.
Já na agenda da Prefeitura, temos uma agenda propositiva e fruto do diálogo já iniciado com a FUNCARTE. Nada a comemorar ainda. Nada de festa. Não é isso que queremos. Queremos debater, propor, fiscalizar, acompanhar e, principalmente, planejar. Realizamos algumas conversas e bate-papos com convidados (Buda Lira/PB e Marcelo Flecha/MA) e faremos uma lavagem na escadaria do Teatro Sandoval Wanderley, fechado desde o início da administração de Micarla, e prestes a iniciar suas obras de revitalização a espera dos trâmites burocráticos para liberação da verba por parte do Ministério da Cultura. Essa lavagem é um ato político que servirá para alertar a população, imprensa, poder público e os próprios artistas da importância daquele Teatro para a história e o desenvolvimento do teatro Potiguar e também para pressionar do governo Dácio/Carlos Eduardo a celeridade nos processos para o tão aguardado início da obra.
Pra concluir, recebemos com muito entusiasmo o convite do Prefeito de Natal para nos reunir com ele ao meio-dia deste 27 de março de 2013 no Palácio Felipe Camarão, para tratarmos de assuntos de nosso interesse e do provável lançamento de editais para nosso setor. Um fato inédito a ser ponderado a partir de seus desdobramentos.
Fico eu aqui com meus olhos arregalados e consciente de uma coisa: as coisas tendem a melhorar, mas com um sentimento que vamos demorar a chegar ao ideal.
Para uns é Dia do Teatro. E para outros é Dia do teatro.

sexta-feira, 22 de março de 2013

Sobre o Projeto Grandes Encontros Musicais e Leis de Incentivo

Primeiro gostaria de externar a dificuldade de falar de um projeto onde sou um Profissional contratado. Mas depois dos últimos boatos e comentários sobre o Projeto Grandes Encontros Musicais, faz-se necessário que entre em cena, e coloque alguns pontos de vista que tenho sobre o referido projeto.

·         Acho importantíssimo que artistas potiguares disputem espaços onde não temos circulação. Existe hoje um público que frequenta o Teatro Riachuelo que pouco conhece a arte produzida em nosso Estado;

·         Cada Artista constrói sua trajetória ao longo de sua carreira, se valorizando e criando sua fama, sua vida e sua força de atração popular. Não vejo problema que um artista de fora do estado e também com um renome construído ao longo da história receba um cachê mais alto do que de um artista daqui. Até porque, quando nos apresentamos fora do nosso território de moradia temos uma entrega de tempo muito maior do que quando nos apresentamos na nossa cidade. Sou daqueles que acha que cada um deve receber o quanto merece. E outra, só subo num palco quando concordo com o cachê que me oferecem;

·         Quanto às diligências que o projeto recebeu no processo de seleção, não nos diz respeito, acho que a Comissão deve respeitar qualquer projeto que se inscreva na lei e tudo deve correr internamente e de forma ética respeitar as possíveis arestas do Projeto;

·          Quanto a execução do Projeto, ele fala por si só. A repercussão é muito positiva. O público sai inebriado do Teatro. Lota a casa. Diverte-se. E a partir dali cria uma relação com o artista Potiguar, que muitos outrora não tinham. O Artista Nacional transforma-se na Cereja do Bolo, num convite a mais e tudo isso a preços populares;

·         E pra concluir, é só perguntar a todos que sobem no palco como eles se sentem após o show. Isso eu não posso responder. Mas tenho certeza que não existirão negativas.

Tudo essa discussão não seria necessária se as Leis de Incentivo tivesse uma regularização mais transparente, popular e democrática. Ficamos na expectativa que em breve isso aconteça. As brechas nas políticas culturais e nos modelos de gestão são a desculpa para todos os problemas, temos que transformá-las em solução e já!



segunda-feira, 18 de março de 2013

A tentativa de uma contextualização das Políticas Culturais no Brasil: Pré-Collor (Parte I)


Historicamente, para se fazer algum tipo de atividade artística, sempre existiu alguém que patrocinasse as aspirações e inspirações de diversos artistas, pelo menos daqueles que sobreviviam de sua arte. Existiam outros que produziram de maneira independente e que, ou tinham um trabalho extra e faziam da arte uma espécie de “hobby”, ou morriam pobres e a míngua e se tornaram artistas valiosos após a morte.
Ao longo do século XX, vimos a Economia de Mercado crescer, a população do mundo também crescer, e surgir uma nomenclatura de Cultura diferente, a de “massa”. Que surgiu unicamente para criar produtos artísticos em larga escala e vender também em larga escala, para uma população consumir também em larga escala. A partir disto e de todas as estratégias de marketing, aconteceu um distanciamento da população de sua Cultura Popular, começamos a consumir excessivamente produtos culturais propagados na rádio e na televisão e de tanto ouvirmos e assistirmos acabamos por concluir e dizer que aquela produção de qualidade questionável é também parte da nossa Cultura.
Devemos olhar com muita cautela e percebermos que a Cultura sempre foi muito bem manipulada por sistemas econômicos e Governos nas mais diferentes épocas. Na ditadura, por exemplo, o “iê iê iê” da Jovem Guarda era amplamente divulgado pelo Regime Militar e alienava toda a população, confrontando diretamente todo um movimento artístico que se contrapunha ao Golpe de 64.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

13 Documentos para a Cultura de Natal


13 Documentos para a Cultura de Natal
ou A empreitada de um Artista Potiguar contra os Moinhos de É-Ventos

O conceito de cultura está intimamente ligado às expressões da autenticidade, da integridade e da liberdade. Ela é uma manifestação coletiva que reúne heranças do passado, modos de ser do presente e aspirações, isto é, o delineamento do futuro desejado. Por isso mesmo, tem de ser genuína, isto é, resultar das relações profundas dos homens com o seu meio, sendo por isso o grande cimento que defende as sociedades locais, regionais e nacionais contra as ameaças de deformação ou dissolução de que podem ser vítimas. Deformar uma cultura é uma maneira de abrir a porta para o enraizamento de novas necessidades e a criação de novos gostos e hábitos, subrepticiamente instalados na alma dos povos com o resultado final de corrompê-los, isto é, de fazer com que reneguem a sua autenticidade, deixando de ser eles próprios.

Milton Santos



                   Vibramos a todo momento com os êxitos da Cultura e da Arte Potiguar. Nosso fazer ganha o mundo em acordes, expressões corporais, imagens, textos e vislumbres de um sonho artístico. Vivemos dias de muita superação e não são dias tranquilos. Utilizo-me da primeira pessoa do plural pra falar de artistas, que, como eu, lutam a duras penas para buscar “um lugar à sombra” e sonhar com dias mais tranquilos.
                   A ditadura militar e os governos neoliberais que a sucederam provocaram na Cultura brasileira um grande choque de alienação e de mercantilização de nossa produção cultural. Artistas, grupos populares, pesquisadores, e todos e todas que fazem a Cultura de um povo tiveram suas relações de liberdade intelectual cerceadas, ora pela repressão militar, ora pela falsa promessa de liberdade e pela fábula construída pelo neoliberalismo.’
                   Essas ações afastaram o povo de sua identidade, de sua prática e o aproximou de uma cultura vazia, desenraizada, massificada. E dentro do olhar perverso do neoliberalismo e das gestões de governos de direita no Brasil, a Cultura transformou-se na cereja do bolo para um projeto de alienação e de fortalecimento da cultura do “pão e circo”. Os processos de “idiotização” e de “emburrecimento” de um povo sempre começaram pelos aspectos artísticos e intelectuais: primeiro, pelo afastamento da Arte e do Pensamento das escolas; depois, pela forçosa criação de eventos culturais que em nada nos representam, nem nos valorizam enquanto criadores e profissionais. É necessário retornar aos Círculos de Cultura propostos por Paulo Freire, onde a partir de temas geradores e de situações problemas discutiam-se as relações, os valores e os direitos humanos, na busca de um caráter mais brasileiro e autêntico.
                   Nossa cidade Natal, a mesma que foi pioneira no projeto “De Pé no Chão Também se Aprende a Ler”, encontra-se abandonada, não existe rumo algum para a Cultura de nossa capital potiguar, são poucas as referências de boa gestão de Cultura por aqui, e só são boas porque não existem modelos para se comparar a tais administrações.
                   Avançamos muito com o ministério de Gil e Juca no Governo Lula; a Cultura tornou-se protagonista de um processo de “rebrasileiramento” de nosso país, começamos a ver o Brasil de baixo para cima, o Brasil das margens e dos marginais, de uma Cultura renegada pelas elites, de uma Cultura que ficou a serviço dos coronéis, de uma Arte que os divertia e em que nos usavam enquanto bobos da corte. Nos últimos anos, vimos a verba chegar aonde nunca havia chegado, na mesa de cada cidadão, no figurino do Boi de Reis, na luz da casa de um sítio no Brasil profundo. Participamos de Conferências, Conselhos e propusemos leis e algumas foram aprovadas. Mas por aqui, essas ações resumem-se apenas às reverberações de programas do Governo Federal: Pontos de Cultura, editais da Funarte e do MinC e emendas parlamentares.
                   Organizamo-nos em diversas redes setoriais das linguagens artísticas, em fóruns de Cultura, em movimentos e ações culturais, vezes isolados, vezes articulados. A crise não mais nos aplaca, motiva à organização. Mas ainda há muito a se avançar, apesar de a participação popular não ser mais a mesma de outrora. O que acontece é que toda ação política em prol de uma melhoria é questionada e atravancada nos egos inflamados dos militantes heroicos de nossa Pátria.
Não serei o poeta de um mundo caduco./ Também não cantarei o mundo futuro./ Estou preso à vida e olho meus companheiros/ Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças./ Entre eles, considere a enorme realidade.” A partir de Drummond, faço um convite pra irmos de Mãos Dadas nessa empreitada, assim como Augusto Boal fez ao aprovar 13 (treze) Leis feitas a várias mãos a partir de seu Teatro Legislativo, assim como fazemos em nossos processos colaborativos no teatro, nos estúdios de gravação, em Performances Coletivas.
                   Acredito que uma candidatura a Vereador deva ir muito mais além do que o simples pedido de voto por meritocracia, apadrinhamento e/ou em troca de favores. Uma campanha de Vereador deve ser propositiva, bem fundamentada e deve servir, principalmente, para discutir a nossa cidade e colocar em foco os seus problemas e possíveis soluções. Assim, convido a todos e todas artistas, produtores, pesquisadores, apreciadores a elaborarmos uma série de documentos que tratem não apenas de propostas, mas que possam nos dar um diagnóstico prático e teórico de como se encontram as políticas públicas para cada setor em questão. A ideia é que seja um trabalho a várias mãos. Work in Progress, termo utilizado para criações artísticas contemporâneas e que significa “trabalho em andamento” ou “em conclusão”. Dessa forma, reiteramos a ideia de que nossa candidatura é pautada pelos movimentos sociais, pelo caráter da construção coletiva e pelo empoderamento de todos e todas – eu não me apresento como um herói detentor do poder da salvação cultural de Natal. Isso é o que estamos chamando de “Uma Nova Cultura Política” – e que não se apresente enquanto nova apenas pelos meus 25 anos de idade e pela idade dos meus companheiros e companheiras de coordenação de campanha e de militância diária.
                   Aproximem-se, contribuam, acompanhem as discussões, enviem-nos propostas de modificação, dialoguem, sejamos dialógicos, não sejamos conservadores, sejamos utópicos, mas com os pés no chão, em círculos e pontos de Cultura. Acredito que com esses documentos possamos fazer um trabalho junto à Câmara Municipal representativo e qualitativo, e, ainda como membro do Diretório dos Partidos dos Trabalhadores de Natal, cobrar nas instâncias internas que os nossos companheiros e companheiras também eleitos, olhem para a Cultura do nosso município com olhares mais preparados e conhecedores do assunto. Tenho certeza que, ao elegermos uma bancada forte de vereadores Petistas e também o nosso Prefeito Fernando Mineiro, avançaremos degraus importantes para uma Cidade mais bonita, sustentável e com todos os nossos direitos constitucionais garantidos com grau de excelência e qualidade.
                   Abaixo coloco os 13 temas relacionados à Cultura da nossa cidade, sobre os quais realizaremos reuniões para criação de cada documento e deixaremos em consulta pública em nosso sítio de campanha durante o período eleitoral:



  1. Artesanato;
  2. Artes Visuais;
  3. Audiovisual;
  4. Capoeira;
  5. Circo
  6. Cultura Popular;
  7. Dança;
  8. Hip Hop;
  9. Literatura, Livro e Leitura;
  10. Música;
  11. Patrimônio Material;
  12. Performance;
  13. Teatro;


                   São pontos que dialogam diretamente com os movimentos culturais da cidade e acredito que ainda existam outros: sejam adicionados dentro destes temas (como Arte Sequencial); sejam como transversais (como Gestão e Produção Cultural). Entre os acima citados, temos dois temas que são diretamente ligados à Cultura Popular, mas que pela suas abrangências e por sua capilaridade territorial merecem um olhar mais apurado ante as suas especificidades, como é o caso do Hip-Hop e da Capoeira.
                   Vamos juntos Botar o Bico No Trombone por uma Nova Cultura Política e por uma nova Política para a Cultura.

O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,a vida presente. 
Mãos Dadas, Carlos Drummond de Andrade


Rodrigo Bico
25 anos, Ator e Militante da Cultura
Formado em Educação Artística pela UFRN
Candidato a Vereador de Natal. 13013
Vota em Mineiro para Prefeito, vota 13!

terça-feira, 27 de março de 2012

Monólogo Farsesco de Um Ator Guerreiro



Abaixo, texto na íntegra:

Começa agora mais um ato da peça de lamentações de um artista desterrado, mais um dia em que minha dor é apenas a palpitação e reverberação da angústia de alguém que grita e ninguém o escuta. Por mais que esse gritar venha acompanhado de um coral e uma orquestra sinfonica, e que entoam juntos o mesmo lamuriar.
Parece que nos encontramos em limbo escuro, denso e frio, guiados por ninguém, em que vez por outra nos aparece um palhaço de cabelos vermelhos arrepiados, com um sorriso cínico no canto de boca dizendo que está tudo bem!
Este monólogo é mais um igual a tantos outros. Já escrevemos cartas e cartas, já esbravejamos em frente a governadorias e Fundações e nada  foi feito.
O que posso eu fazer diante de tanto descrédito, de tanta descrença, de tanta desgraça???
Hoje é o dia em que o Elefante Potiguar não soltará um Grito, não fará um só levante, que não comerá uma única migalha de pão antropofágico oferecido aos pobres artistas que só tem ao vinho dionisíaco para se entorpecerem diante da pasmaceira admnistrativa de uma Secretaria Inexistente.
Cuido eu de levantar minha lança e preparar meu escudo, e proteger-me de qualquer ameaça que venha a destruir meu corpo cansado, mas que ainda é vibrante, que ainda fala, que ainda abre grandes rodas ao luar, em praças e palcos espalhadas nessa terra de Poty. Vejo Palhaços Shakespeareanos alçarem vôos daqui, Alegrias e alegrias se sustentarem no ar, Probres artistas de Teatro à Deriva de um mar revolto e enfrentando tempestados afim de deixarem seu barco estável, Estandartes são postos ao sol potiguar para que o mofo inerte não nos ceguem, Teares inteiros não param de produzir arte em tecidos velhos para que Estações inteiras abasteçam-se de arte, para que o teatro chegue em casa à ribeira de um rio poluído de sujeiras capitais.
Só a Antropofagia nos une, e só um Antropófago aliado de uma série de Conservadores democráticos nos une mais ainda. Que fiquem eles caminhando lado a lado enquanto tentamos nos fortalecer, que façam seus banquetes globalitários sem nem nos convidar, talvez por que saberiam que certamente não aceitaríamos o seu convite. Hoje tentarei chegar ao lado de sonhadores e guerreiros como eu, muitos batalham a mais de três décadas, enfrentaram militares e ainda esperam viver dias tranquilos. Coragem meus amigos. Fico eu aqui a esperar o momento em que nos encontraremos, torcendo pra que não cochile e que meu peito não adormeça sobre a ponta de minha própria lança... Viva o Teatro... Viva o Teatro... Viva...


Rodrigo Bico
em face ao Dia Mundial do Teatro

Dia Mundial do Teatro com os Grupos de Teatro


Neste dia 27 de março (Dia Mundial do teatro) os Grupos de Teatro da cidade do natal e artistas afim, celebram esse dia com Roda de Conversa, Vídeos, Tribuna Livre para Poesias, teatro e Música. O Evento acontecerá na sede dos Grupos Facetas, Mutretas e Outras Histórias e Estandarte, e é promovido pela rede Potiguar de Teatro.
Traga o seu vinho, sua alegria, reflita e critique conosco, façamos dessa celebração um momento de aprendizagem e reflexão frente ao fazer teatral no nosso estado do Rio Grande do Norte.

Abraços do Bico

terça-feira, 13 de março de 2012

Caravana Bico de Poesia - 14 de março

Depois de uma boa temporada de ausência do Palhaço Bicolim, ele está de volta, puxando uma Caravana de recitação de poesia pela cidade do Natal. O palhaço começará suas atividades na Escola Estadual Berilo Wanderley (Conj. Pirangi), berço de seu trabalho, e seguirá para as ruas do Centro da Cidade, visitando a Casa do Cordel e o IFRN - Cidade Alta, ainda passará pelo Encontro de Prosa e Política (Parque das Dunas, Zona Norte) onde acontecerá uma homenagem ao Dia da Mulher em diálogo com o Dia da Poesia e concluirá sua participação no Sarau Lítero-musical no Escritório da Dep. Fed. Fátima Bezerra. Junte-se a nós. E acompanhe toda essa programação!!!

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Muitas personalidades em um só corpo

Arte como conceito de vida 
Por Élmano Ricarte


Até onde vai o “clown”, qual o limite para Bico e em que lugar se perdeu o Rodrigo? Pelas ruas de São Tomé, no Rio Grande do Norte, o palhaço arranca risadas eufóricas de senhoras e senhores, meninos e meninas, todos se iluminam pelas piruetas do teatro ao ar livre. O que está por trás daquela personagem que se move e transpira arte em seus movimentos?

Rodrigo Bico (Bicolim) por Élmano Ricarte


O “clown”, o palhaço da linguagem das artes cênicas, é a máscara da alegria e  risos para o mundo. O Bico é o amigo que cativa a todos e não deixa que as doenças aliadas da tristeza se aproximem. Rodrigo é o estudioso de Artes Cênicas que vejo no rosto desse rapaz, quando ele observa atento à encenação dos adolescentes que participaram de sua oficina de teatro de rua, no Programa Trilhas Potiguares, da UFRN, em São Tomé. Já Rodrigo Bico representa a cultura do estado nos pontos de cultura que se espalham pelas terras potiguares e trazem uma vida mais poética para seus habitantes.

Arte para nossas vidas! O “clown” Rodrigo Bico mostra que se viver for uma expressão artística é possível dar saltos nas dificuldades e seguir sorrindo sempre irradiando alegria.


São Tomé-RN, segunda-feira, 11 de julho de 2011.


quinta-feira, 19 de maio de 2011

Quanto aos "Rumos à Cidadania Cultural"

Hoje cheguei de uma viagem bastante produtiva. Fui a Recife para o Encontro promovido pelo MinC e sua recém-criada Secretaria de Cidadania e Diversidade Cultural (SCDC), articulei a rede dos Pontos de Cultura de nosso Estado (RN) junto a outros companheiros e com apoio da FJA (que cedeu o ônibus) fomos todos a cidade de Chico Science para particparmos deste evento.

A abertura foi feita pela Secretária Marta Porto que durante quase uma hora nos falou desse novo rumo a ser tomado pela sua Secretaria (SCDC) e foi além, nos falou de ética, de respeito e focou sua fala nas crianças, na juventude brasileira.

Marta Porto - SCDC
"Temos uma sociedade culturalmente forte e eticamente fraca", falou a Secretária. Essa frase resume toda sua fala. Ela nos diz que recebe um legado da gestão passada, e um grande legado, deste destacam-se os programas Brasil legal e o Cultura Viva. O primeiro abarca os projetos voltados para a diversidade cultural brasileira, as culturas ciganas, afro-brasileiras, indígenas, LGBT, do idoso e da acessibilidade, estes ficaram sobre a tutela de Américo Córdula na Gestão passada. O segundo, é aquele que podemos considerar o programa mais revolucionário que o estado pôde desenvolver ao longo de sua história que, parafraseando Célio Turino (idealizador do Programa), "desescondeu o Brasil". Os Pontos de Cultura representam para o Brasil a política de cultura mais descentralizadora que já existiu, levando aos Brasis mais Longínquos a possibilidade de desenvolverem uma política pública. Assim são os Pontos de Cultura.

Mas o que tem haver a ética com os Pontos de Cultura? O Programa Cultura Viva tinha que acontecer. Mesmo sem o estado brasileiro estar pronto para tal, nem o próprio movimento cultural, mas ele tinha que acontecer para mostrar ao povo brasileiro a importância que existe nessa efervecência cultural gerada pelos Ponto de Cultura. "Não dava pra esperar o estado brasileiro ficar pronto pra isso. Os pontos de Cultura tinham que ser instalados" disse o César Píva, Coordenador Geral do Programa Cultura Viva, e por isso hoje arcamos com as consequências: Editais cancelados, Prêmios atrasados, Resultados modificados e grande desgaste na relação MinC x Movimento Cultural.

É aí onde reside a importância da ética. Não que não tenha havido até então, mas que ela seja mais clara, que haja um respeito ao que já foi construído. Percebo que esta ética e este respeito deva vir dos dois lados, Estado e sociedade Civil. E sinto que isso venha acontecendo nessa nova gestão, que é nova, mas é de continuidade.

No Plenário houve muitas discussões acaloradas, ataques desnecessários, burburinhos incômodos e tudo que acontece quando se reúne o movimento cultural para se falar de Políticas Públicas. Mas não quero me ater a isso. 

Quero me ater aos resultados práticos colocados pelo Ministério.

1º Mais transparência, ética e melhor comunicação com os envolvidos em suas atividades;

2º Cancelamento de dois editais (Agente Cultura Viva e Agente Escola Viva) pelo prazo expirado do Edital, sem qualquer previsão de Premiação;

3º O Resultado do Prêmio Areté para pequenos eventos foi relançado e aconteceram algumas baixas e que certamente gerarão algumas muitas confusões para frente;

4º Em junho o MinC/SCDC lançará alguns editais em parceria com outros Ministérios e outras secretarias, relacionando a Cultura Com diversas temáticas como o Meio Ambiente, Direitos Humanos e Juventudes;

A partir destes pontos, chego a algumas conclusões. Não corroboro do mesmo desespero de alguns companheiros do Movimento dos Pontos de Cultura, que o Programa Cultura Viva vá se acabar ou ser deixado de escanteio, ainda acredito que este seja o principal programa do Ministério da Cultura. e Lanço a pergunta aos demais: do jeito que está dá pra continuar?

Com repasses fundamentados na Lei 8.666?

Plenário lotado com quase 500 pessoas
Com Editais problemáticos e sem um fundo que garanta o seu pagamento?

Com inúmeros CNPJ's de anos de trabalho sendo queimados por causa de uma política Cultural?

Por isso, eu gosto do discurso da Marta Porto, e acredito que essa ética deva começar dentro de sua casa (MinC/SCDC). Para a partir disto, irmos para o território do simbólico e como ela mesmo disse: "Se não existe sentimentos éticos, não existirá o senso ético" e toda essa problemática dos Editais só gera sentimentos de raiva, ódio e conflito, contradizendo-se com tudo que os companheiros da Cultura de Paz tanto defendem.


Quanto a nossa rede estadual, pude me reunir a noite com Fábio Lima (Potiguar e Chefe da Regional Nordeste do MinC) e com o já citado César Píva, discutimos com alguns representantes do Nordeste a respeito da realização das TEIA's Estaduais e de uma possível TEIA Regional. O MinC demonstrou-se empolgado em apoiar esses eventos, conversamos sobres suas características, a importância de politizá-los, de discutir nossas origens enquanto Ponto de Cultura (passado, presente e futuro). A ideia agora é mapear todas as redes estaduais (quantidade e qualidade de pontos) e escrever os Projetos. Para nossa TEIA Potiguar já tenho um pré-projeto e que mais a frente compartilharei com tod@s.

Quanto ao depósito da segunda Parcela e primeira dos suplentes, o Píva pediu para que ficássemos em contato com ele via e-mail para que ele acompanhe como anda a valiação da prestação de conta da FJA com o Ministério. Caso esteja já encaminhada, o dinheiro será depositado na conta do estado até o dia 31 de maio (Clique aqui e veja a informação oficial).

No mais é isso... vamos conversando e lutando para que nossa rede se fortaleça cada vez mais.

Rodrigo Bico
Grupo de Teatro Facetas, Mutretas e Outras Histórias
Ponto de Cultura Rebuliço
Representante Estadual dos Pontos de Cultura - RN/CNPdC

quarta-feira, 4 de maio de 2011

O Blog do Facetas está de cara nova! Confira!!!

Clique na imagem e vá direto ao Blog

O Blog/site do Grupo de Teatro Facetas, Mutretas e Outras, no qual sou ator e um dos coordenadores está de cara nova, ele representa um pouco do novo momento do grupo, de autogestão e auto-organização.

Visitem-nos e contribuam para o desenvolvimento e divulgação de nossas atividades!!!

terça-feira, 26 de abril de 2011

Cineclube Boi de Prata no dia 28 de abril - Os Goonies


Nesta Quinta feira, dia 28 de abril às 19 horas no TECESol, exibiremos o filme The Goonies, de 1985, do gênero aventura, com a Direção de Richard Donner e Roteiro de Steven Spielberg e Chris Columbus produzido pela Universal Studios.

Sinopse:
Grupo de garotos conhecidos como Goonies partem em busca de um lendário tesouro perdido, já que sua cidade corre risco de despejo por dívidas. Sem aceitar que suas casas virem campos de golfe para os almofadinhas, os garotos enfrentam as armadilhas criadas por Willy Caolho, o pirata dono da fortuna perdida, enquanto têm de fugir dos perigosos bandidos da família Fratelli. Uma verdadeira aventura para os pequenos e corajosos exploradores.

As exibições são de entrada franca e exibidas na rua (caso não chova), e fica a cargo do espectador contribuir voluntariamente com a ação do Cine.

O cineclube Boi de Prata tem o apoio do Ministério da Cultura por meio do Cine Mais Cultura.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Plenária da Lei Cultura Viva

Plenária da Lei Cultura Viva
18 de abril no IFRN (Centro de Natal) às 14 horas

PROGRAMAÇÃO

14 horas - Abertura com fala de Rodrigo Bico apresentando a minuta da Lei Cultura Viva
14h30 - Debate a respeito da Lei
16h - Definições para ida de uma caravana Potiguar para a reunião com Marta Porto (SCDC/MinC) e para a Caravna Nacional do dia 25 de maio em Brasília.

ps¹: TODA A REUNIÃO SERÁ TRANSMITIDA ON LINE E ABERTA PARA CONTRIBUIÇÕES VIA INTERNET

Beijos e Abraços
Rodrigo Bico
Grupo de Teatro Facetas, Mutretas e Outras Histórias
Ponto de Cultura Rebuliço
Representante Estadual dos Pontos de Cultura - RN/CNPdC

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Será que Dorian Gray já pintou palhaços?


Como que sem querer
em uma dessas noites infortunas
em que artistas perdem-se nos seus sonhos
Vi-me a frente da casa daquele que pinta quadros
com a força de um viajante cosmopolita

De seu muro sobressaiam cubos de concreto
a roda inerte parava meu olhar
em meio as pedras vazadas avistei
figuras esculpidas na parede

e eu... estático no meio da rua.

Exclamei: estou na frente da casa
daquele que pintou as mães da Cidade Alta
e a Via Sacra da Capela moderna em que batizei
meu afilhado!

Perguntei: será que Dorian já pintou palhaços?
Logo ele que tanto fala do sofrimento
do seu povo. Será que ele pintaria
fanfarrões, bufões, pícaros, bobos,
clowns e brincantes a sorrir
pular e cantar pelas ruas de Paris?

Atrevi-me a responder: ele pintaria o palhaço desterrado
o palhaço taciturno
o palhaço mambembe do sertão profundo
pintaria a lágrima expressionista de um palhaço em cubos.

Não será tua voz que ecoará ao longo dos tempos
Serão tuas imagens
que repetidas vezes reverberarão
nas retinas de nossa memória
Será tua poesia que nada mais é, se não, tua sabedoria
arrumada em algumas palavras
e que nos levará muito além das viagens de Walt Withman.

Assim parti da casa daquele que pinta quadros
com a força de um viajante cosmopolita
e daquele que faz de sua vida um constante ato artístico.


em homenagem ao artista Potiguar, Dorian Gray Caldas.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Reflexões a cerca de nossa militância cultural



Companheir@s da Cultura do nosso estado do Rio Grande do Norte.

Durante anos de nossa história enquanto artistas, saímos de lugar em lugar, patrocinador em patrocinador, fundação em fundação com os nossos “pires” em mãos, balançando e cheios de esperança para que alguma bondosa alma contribuísse com a nossa produção artística, tendo muitas vezes que adaptar nossa obra para que ela encaixe-se no perfil social de determinada empresa. E enquanto fazíamos isso, pudemos ver diversos grupos, coletivos e artistas se esvaírem em meio a ausência total de políticas públicas, partirem para outros estados, alçarem outros vôos e tudo porque não conseguimos, se quer, possibilitar ao Artista Potiguar o vislumbre de uma vida profissional digna e reconhecida. Não falo aqui daqueles que com tudo conseguem fugir a essa regra, estes são minorias, e toda política neoliberal necessita dos exemplos de superação para que possamos almejar a chegada aquele determinado patamar.

Falo dos que fazem arte por serem artistas e que por vias do “destino” (irônico destino) não tiveram cursos de “Produção Cultural”, não sabiam o que eram as chamadas “políticas públicas para arte”, nunca haviam concorrido a um único edital, nem sabiam o que era uma “Associação sem Fins Lucrativos” e muito menos sabiam que seria necessário se ter um contador para poder produzir arte.

Nos últimos anos tivemos uma verdadeira “virada de mesa” e que pegou muitos de nós com extrema surpresa. Tivemos que nos organizarmos das mais diversas formas, em câmaras setoriais, coletivos artísticos, fóruns, conferências e conselhos. Brigamos entre nós mesmos, nos enfraquecemos, ocupamos as citadas cadeiras, aprendemos! (aprendemos?) Depois de inúmeras consultas públicas e Conferências que aconteceram em todo o Brasil, nos lugares mais profundos desse país continental, editais frustrantes, leis excludentes, mas também de muitos outros resultados felizes e bem sucedidos como os editais FUNARTE, Pontos de Cultura, Mais Cultura e ações de Secretarias espalhadas em todo o Brasil, tornou-se necessário a criação de uma verdadeira política de ESTADO e no ano de 2010, em fins de Governo Lula, tivemos a tão sonhada aprovação do Plano Nacional de Cultura, que marca a história do Movimento Cultural do Brasil, a nossa tão sonhado “Política pública para a Cultura”.

Mas não adianta apenas aprovarmos este Plano. Lembro que todo plano deve ser elaborado. Mas nós que construímos um movimento Cultural à anos não devemos colocá-lo nas mãos de “intelectuais” que apenas pensam a cultura, somos nós que a fazemos, que estamos nas praças, nas salas de Teatros, nos auditórios, nas ruas, nas galerias, nas mãos da população, emocionando plateias, enraivecendo gestores, peitando policiais, educando, aprendendo e sonhando a cada dia com a nossa produção. Somos nós que devemos elaborar esse plano, em paridade com os gestores do Estado, ocupar os conselhos, pensar a agenda, fundamentar um organograma, pensar os editais. Este plano definirá a política de cultura do País, de suas Federações e municípios por 10 anos, não podemos começar errando, cheios de arestas. É importante nos prepararmos para esse momento e termos muita calma, pois é chegada a hora. Lembremos daqueles momentos de outrora em que nos reuníamos para chorar nossas mágoas, brigar pelos nossos ínfimos cachês, reclamar dos Autos e carnavais falidos de nosso estado, pois esqueçamos de tudo isso, ou melhor guardemos todas essas cenas como exemplos a não mais serem seguidos, chegamos à uma época em que a organização nos toma, a arte nos aplaca, e a sobriedade se faz necessária. Não nos emocionemos tanto, gosto muito de dizer isso, às vezes a emoção nos tira a razão, talvez seja duro para nós artistas tentar retirar a emoção das coisas, mas o que fazer quando o tempo é curto e a necessidade é extrema?

Reflitamos para a construção...


Abaixo faço alguns apontamentos em 5 eixos diferentes, talvez nos sirvam como importantes balizadores para a nossa reflexão enquanto artistas.


FRUIÇÃO E CIRCULAÇÃO

  • Festivais e Exposições para todas as linguagens artísticas com seleção idônea, transparente por meio de editais públicos;

  • Circulação da Produção Potiguar em todo o estado;

MONTAGEM E PRODUÇÃO

  • Apoio as diversas linguagens para a criação e produção de obras artísticas, por meio de editais de montagem;

MANUTENÇÃO

  • Apoio a grupos, coletivos, bandas e artistas para a manutenção de sua arte, esta não reduz-se a pagamento de espaços, gastos com água e luz, mas também para o campo do intelectual, oficinas de atualização de técnicas, Palestras, cursos de produção Cultural e etc...

PESQUISA

  • Faz-se necessário cada vez mais atrelarmos nossa arte à linhas de pesquisas fundamentadas, não só do artista vive a arte, temos uma rede de profissionais envolvidos e os Pesquisadores de Arte são muitas vezes esquecidos. O Rio Grande do Norte carece de críticos, são eles que fazem a arte do lugar circular na boca do povo, correr mundo. E a pesquisa é importante para formar esse movimento.

FORMAÇÃO

  • Os Pontos de Cultura desempenham no Brasil um papel importantíssimo para o desenvolvimento da educação brasileira, apontado como principal política pública para a Cultura do Governo Lula, atingindo as mais profundas camadas da sociedade, desescondendo o Brasil, mostrando nosso país de Baixo para Cima. Devemos colocar em pauta os Pontos de Cultura para o desenvolvimento dos nossos Planos Estaduais e Municipais, não que eles sejam os únicos caminhos para a formação, enquanto nos apresentamos estamos formando plateia, enquanto expomos nossas obras um público as apreciam, qualquer ação em prol do desenvolvimento da Cultura será formadora, transgressora e revolucionária.


Natal, 28 de Fevereiro de 2011


Rodrigo Bico. Ator, produtor e militante da Cultura

Grupo de Teatro Facetas, Mutretas e Outras Histórias

Coordenador da Rede Estadual dos Pontos de Cultura

Delegado de Teatro eleito para a Pré-Conferência Setorial de Cultura 2010

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

A despedida de um artista afogado em si mesmo

Eu vi em teus olhos
(que você nunca pintou)
aquilo que quiseres dizer a vida toda

Você amou cada traço que desenhou

Você amou as alegorias que enfeitaram carnavais de outrora

Você amou cada retrato feito a pulso e grafite
Cada mendigo pintado a nanquim

Amou os índios a óleo
dizimados por homens que não amaram

Amou as pinturas sacras feitas em releituras de homens profanos

Fizestes questão de amar
até o último pulsar de teu coração
as tuas maiores obras
que não foram feitas a óleo
nem a carvão
e nem pela tinta fresca do nanquim
estas foram feitas de carne humana
e lapidadas a cada carinho de pai
pincelado por ti.

O que te diferiu dos homens comuns
foi a tua capacidade de não ter sido comum
e de não entenderem tua complexidade.

No dia que todos entenderem a verdadeira matéria
da qual, nós artistas, somos feitos
a humanidade será mais doce
o amor recairá sobre todos
e os sonhos deixarão de ser devaneios tolos
de homens simples
e tornar-se-ão realidade pura e fresca

e nos deixarão atônitos
assim como nos deixam
cada tela pintada por ti.


a Jobercé Alípio Filho (Tio Beceza, Becé) in memoriam